O Corinthians dos Corinthianos

Qual é a Solução?

Março 7, 2008 · 10 Comentários

Por Larissa Beppler Santiago 

Dias atrás, navegando pelo site de relacionamentos Orkut, em uma comunidade do Corinthians, deparei-me com o comentário de um torcedor. Dizia que a solução para acabar com a corrupção no clube seria transformar o Corinthians num clube-empresa, uma S.A., com ações cotadas na bolsa e obrigações com os acionistas, tal como os times europeus, nos quais executivos investem dinheiro e o futebol, fica por conta de quem mais puder investir e/ou tiver mais poder.

A meu ver, a essência do esporte, que diz respeito à garra, luta e superação, se esvai um pouco aí. Porém a opinião do torcedor é bastante lúcida, ele chegou a essa conclusão analisando a situação administrativa do clube, “quando não são presidentes e vice-quadrilheiros estelionatários, são os empresários mandando, uma vergonha…” afirmou.

Como torcedora do Sport Club Corinthians Paulista, manifesto que sou radicalmente contra a conversão do futebol em balcão de negócios. Pelos motivos que explico agora: 

• Apresentar como única alternativa essa falácia criminosa de constituição de S.A., é exatamente o que eles querem. Criar o caos, o medo;

• O Corinthians teria dono, algo desonesto porque o clube surgiu de um interesse popular e coletivo, e não de um interesse corporativo privado; 

• Ninguém pode comprar e tomar posse de uma paixão intangível que é minha, sua e de todo corinthiano em qualquer parte do mundo. Isso não se vende, nem se compra; 

• Imagino se um palmeirense adquirir 51% das cotas e assumir o controle acionário. Ou se um esperto qualquer resolver mudar o clube para o Rio de Janeiro, conforme fizeram demais nos EUA, com clubes de basquete e baseball.

• Tornado empresa, os acionistas iriam preferir, a princípio, a conversão de lucros ou a satisfação dos desejos subjetivos da massa? Nesse caso, não há possibilidade. 

• É uma pena que a manipulação da imprensa, nos canalhas transcapitalistas esteja fazendo a cabeça das pessoas de bem.

O Corinthians pertence aos corinthianos e não pode ser vendido. É como amor de mãe, beijo de namorados e amizade. Como privatizar isso e dirigir ao lucro?  

No entanto, o torcedor referido anteriormente embasava seu pensamento em uma conversa que havia tido com um argentino, torcedor do Racing, que havia lhe dito, sobre as preocupações do torcedor com o iminente rebaixamento: “Amigo, preocupe-se com os dirigentes do seu clube. Esses sim são perigosos. Rebaixamento não é nada perto da falência do clube. Eu sei o que é acordar e de repente não ter mais meu time pra torcer. Consegues conceber essa idéia maluca? É um pedaço de você que morre“.

Eu, imediatamente pensei: ‘não, nunca!’ E de fato, se algum dia o Corinthians deixasse de existir, uma parte, talvez a mais fundamental do meu ser, morresse. Meu coração é alvinegro, graças a Deus. E é por isso que continuo na incansável luta por um Corinthians digno e livre de toda a corrupção que nos assola. 

Mas então, qual é a solução?

Para o torcedor, até que haja controle sobre as atividades dos clubes, não há saída que não virar uma empresa com forte fiscalização de órgãos externos.

E a própria saída, encontra-se no comentário dele. Fiscalização e controle sobre as atividades do clube.  Existem meios de se fiscalizar o clube, inclusive por meio dos dispositivos estatutários vigentes. O que falta é pressão e suporte aos conselheiros e eventuais membros decentes do Cori. Falta democratização do poder, falta o voto dos associados e melhoras no estatuto. 

E na parte que cabe à torcida, falta conscientização. Falta interesse pelo conhecimento das atividades políticas e administrativas do clube. O conhecimento no nosso país fica detido nas mãos de poucos, que usam o seu conhecimento (leia-se no sentido mais amplo da palavra) como forma de manipulação das massas. Por isso, acredito que a conscientização seja o primeiro passo, para que possamos tomar atitudes quanto à fiscalização do clube.  

Não quero ver o meu Corinthians vendido, menos ainda acordar e não ter mais o amor da minha vida pra torcer. Acredito que todo corinthiano partilhe dessa opinião, desse sentimento. Então, toda tentativa é válida para evitar quaisquer das duas possibilidades.  

O povo precisa conhecer a força que tem quando está mobilizado.  

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